
O Hospital Albert Sabin realizou, no último sábado (17 de outubro), um procedimento cirúrgico inovador para o tratamento de deformidades ósseas do ombro: a primeira artroplastia reversa 360° com planejamento orientado por inteligência artificial e engenharia clínica na Zona da Mata mineira. A técnica representa um avanço nas possibilidades de tratamento de pacientes com desgaste articular acentuado e perda óssea, condições que podem comprometer significativamente a mobilidade e a qualidade de vida.
A cirurgia foi conduzida pelo ortopedista e cirurgião de ombro e cotovelo Matheus Benicá, de Juiz de Fora (MG), com a participação de uma equipe multiprofissional. O procedimento utiliza uma prótese desenvolvida para corrigir deformidades e falhas ósseas complexas, oferecendo uma alternativa para casos em que o desgaste do ombro compromete não apenas a cartilagem, mas também a estrutura do osso.

Tecnologia para tratar casos de alta complexidade
A artroplastia reversa do ombro é uma técnica utilizada para tratar determinadas doenças e lesões da articulação, especialmente quando há comprometimento importante de suas estruturas. Na versão 360°, o procedimento permite corrigir defeitos ósseos por meio de componentes metálicos planejados especificamente para a anatomia de cada paciente.
No caso tratado no Hospital Albert Sabin, o desgaste progressivo da articulação havia provocado uma perda óssea significativa, prejudicando a função do ombro. A tecnologia utilizada possibilita reconstruir a região comprometida sem a necessidade de retirar enxerto ósseo de outra parte do corpo da paciente, como ocorre em determinadas técnicas convencionais.
“Essa prótese é utilizada para a correção de defeitos e deformidades ósseas do ombro. Com componentes metálicos planejados especificamente para o caso da paciente, conseguimos corrigir essa falha sem a necessidade de retirar enxerto ósseo de outro local do corpo”, explica Matheus Benicá, ortopedista e cirurgião de ombro e cotovelo.
A abordagem amplia as possibilidades de tratamento para pacientes com alterações anatômicas importantes, nas quais a reconstrução da articulação exige soluções personalizadas e um planejamento minucioso.

Inteligência artificial no planejamento cirúrgico
Um dos diferenciais do procedimento está no planejamento realizado antes mesmo de a paciente chegar ao centro cirúrgico. Para isso, a equipe utilizou exames de tomografia computadorizada, ressonância magnética e radiografias para analisar detalhadamente a anatomia do ombro e dimensionar a extensão da perda óssea.
As imagens foram utilizadas em um programa de planejamento cirúrgico com auxílio de inteligência artificial, que fornece informações para orientar a equipe na escolha e no posicionamento dos componentes da prótese. A análise individualizada contribui para uma reconstrução mais precisa da anatomia e auxilia na tomada de decisões durante o procedimento.
Segundo o especialista, esse processo é fundamental para aumentar a previsibilidade da cirurgia e buscar melhores resultados funcionais para a paciente.
A integração entre tecnologia, planejamento pré-operatório e conhecimento especializado demonstra como os recursos digitais vêm ampliando as possibilidades da ortopedia, sobretudo em intervenções que exigem elevado grau de precisão.

Um marco para a assistência em saúde na região
Fabricada na Itália, a prótese utilizada no procedimento já é empregada em grandes centros internacionais para o tratamento de deformidades ósseas complexas do ombro. A realização da cirurgia no Hospital Albert Sabin marca a introdução dessa abordagem na Zona da Mata mineira, ampliando o acesso regional a uma alternativa tecnológica para casos selecionados.
Mais do que a utilização de um novo dispositivo, o procedimento evidencia a importância da combinação entre inovação, planejamento individualizado e atuação integrada da equipe de saúde para enfrentar desafios cirúrgicos de alta complexidade.
Com a realização da artroplastia reversa 360°, o Hospital Albert Sabin reforça seu compromisso com a busca por técnicas e recursos que contribuam para a evolução da assistência e para melhores perspectivas de recuperação funcional dos pacientes.